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Realidade Diocesana

ASPECTOS CULTURAIS E RELIGIOSOS

O povo da nossa Diocese pertence originalmente a diversas culturas, algumas minoritárias que teimam em sobreviver, masacabam assumindo traços da cultura dominante. Na verdade não existem culturas superiores, existem culturas diferentes. Os principais agentes da evangelização em nossa Diocese vieram de fora acompanhando os migrantes, estando incluídos os padres, irmãs religiosas, ministros extraordinários da comunhão Eucarística, catequistas e outros leigos mais engajados nas atividades comunitárias. Urge, portanto, uma sadia inculturação para que Jesus Cristo seja “tudo em todos”, respeitando tradições típicas dos nativos e dos povos indígenas nas suas peculiaridades culturais e religiosas. Estas particularidades se manifestam, sobretudo nas procissões, ladainhas diversas, novenas, água benta, velas em profusão, terço, rezas, devoções, batismos em casa e na fogueira, etc. Tudo isso sem se esquecer dos desvirtuamentos, superstições e crenças populares. Todas essas maneiras de demonstrar a fé são louváveis em si, apenas as coisas secundárias na fé não devem prevalecer sobre as essenciais, para que não haja um desvirtuamento da fé.
Todos esses aspectos culturais e religiosos devem ser levados em conta na elaboração de um plano de pastoral que respeite a variada mescla de tradições do nosso povo. A preocupação com estes segmentos significa uma atenção especial para com os menos favorecidos da sociedade.

ALGUNS INDICADORES GEOGRÁFICOS, ECONÔMICOS E SÓCIO-CULTURAIS

Existem ainda na região deficiências que inibem um bom planejamento pastoral tais como: um povo ainda em formação na sua identidade, provindo em sua maioria do sul, centro e nordeste do país; a falta de clero diocesano e também soluções pastorais e humanas para os povos indígenas da região, bem como para os migrantes internos do Estado.

Tais indicadores tornam difícil um planejamento eficiente e continuado, pois os vazios demográficos, entre outros, dificultam qualquer plano que possa ser executado com êxito.

No aspecto geográfico, houve e há uma melhoria nas comunicações com a abertura e asfaltamento de estradas. O surgimento de uma economia de transformação da produção agrícola local e regional tem contribuído muito para o crescimento econômico e a vinda de grandes empresas e fábricas para nossa região.
Diante do avanço tecnológico na agricultura, sobra cada vez mais mão-de-obra no campo. No cultivo da cana-de-açúcar e algodão as máquinas vão tomando o espaço do trabalho humano.

Nas culturas do arroz, soja, milho e outras, bastam alguns operadores qualificados no manejo do maquinário.

Diante deste quadro ocorre um êxodo cada vez maior do homem do campo em direção às cidades pólos de desenvolvimento onde há grande demanda de empregos. Com a presença sempre maior de Faculdades no interior diminuiu a migração para a capital Cuiabá e outras regiões. Há ainda acampados na beira das rodovias à espera de algum lote ou desapropriação de alguma fazenda improdutiva. Os assentados normalmente sobrevivem com a falta de condições de subsistência, de acompanhamento técnico e financiamento adequado à permanência no lote adquirido.

Temos atualmente 43 assentamentos na Diocese, em torno de 6.583 famílias e num total de 26.332 pessoas.
Estes números variam constantemente porque muitas famílias abandonam ou vendem seus lotes por razões diversas como: falta de apoio dos órgãos públicos; acompanhamento técnico e infra-estrutura nos assentamentos; falta de critério de seleção; falta de aptidão e motivação de trabalhar na terra. Outro desafio recente é a presença de evangélicos no meio rural. Uma boa percentagem dos assentados pertence a alguma das muitas denominações evangélicas ou pentecostais com suas igrejas espalhadas pelos assentamentos. Urge a Igreja particular de Diamantino priorizar com um serviço religioso e pastoral qualificado a estes menos favorecidos da nossa sociedade.

No campo religioso vale lembrar ainda, que a formação religiosa das famílias que vieram para o Mato Grosso e das nativas, é de cunho devocional, sem muito compromisso comunitário e social por deficiência do compromisso cristão assumido no batismo. O processo de evangelização também costuma falhar, desenvolvendo conhecimentos e espiritualidades sem a prática do compromisso com a comunidade. Este quadro desafiante tem melhorado com o surgimento dos movimentos eclesiais direcionados às famílias e aos jovens. É animador o florescimento e crescimento vocacional com mais celebrações matrimoniais, ordenações sacerdotais e profissões religiosas.
Também está crescendo a consciência da partilha, participação e pertença do povo nas paróquias e na diocese.

A IGREJA QUE SOMOS

A área geográfica da Diocese é de 107.498 km², com uma população aproximadamente de 359.935 habitantes (2014). É formada por 17 paróquias e 18 municípios. A cidade de Diamantino, berço da migração para a região, é originária da época dos garimpos de diamantes e de ouro. As outras cidades surgiram a partir da década de cinqüenta, motivadas pela expansão mineral e agrícola. O povo veio migrando em geral aos poucos, até a sua fixação definitiva.

Em muitos lugares os migrantes encontraram povos indígenas de diversas etnias, gerando conflitos em torno das demarcações de terras, às vezes, ainda não homologadas oficialmente.
O povo proveniente do centro-sul estabeleceu-se de preferência nas regiões de cerrado, visando agricultura e pecuária.
Hoje nota-se um grande fluxo migratório em direção às cidades pólos de desenvolvimento e Cuiabá, e menos para as últimas fronteiras agrícolas no extremo norte do Estado, em direção ao Pará – Santarém e ao longo da BR 163. Os Migrantes formaram comunidades e trouxeram lideranças. Os missionários de diversas congregações religiosas masculinas e femininas acompanharam este fluxo migratório, atendendo espiritualmente o povo e animando-o também nas crises e dificuldades financeiras, doenças e desânimos da vida.

A Igreja particular de Diamantino também está crescendo no ritmo das mudanças da Igreja no Brasil e no mundo, tendo hoje a grande preocupação em se organizar para melhor servir ao Povo de Deus em suas legítimas aspirações sociais e religiosas. Constitui seu próprio planejamento, agindo na formação de suas lideranças com manual próprio de formação, elaborado por uma equipe da diocese, e organizando as diversas pastorais e movimentos que constituem a Igreja no seu dia a dia. A Diocese organizou-se em quatro foranias, visando reduzir distâncias e favorecer um dinamismo interno na condução das atividades pastorais. Merece destaque a prioridade que é dada à pastoral vocacional, através do Serviço de Animação Vocacional (SAV), com três Seminários, dois diocesanos e um dos Freis Capuchinhos. Foi importante também a instalação do Studium Eclesiástico Dom Aquino Corrêa – SEDAC, centro de formação filosófica e teológica dos nossos futuros padres e também de lideranças leigas e missionárias, localizado em Várzea Grande, MT.

Temos também a presença de congregações religiosas em diversas paróquias da diocese, atuando na saúde, na educação e nas pastorais. No ano de 2000 foi fundada a Companhia das Irmãs Discípulas do Divino Pastor.
Queremos ser uma Igreja solidária, preocupada com o bem do povo, em sentido amplo. Desejamos ser uma Igreja no Mato Grosso, encarnada na nossa realidade cultural e sócio-econômica, sem esquecer os aspectos rurais e urbanos, tendo em vista a construção de uma sociedade justa e fraterna.

Portanto, queremos ser uma Igreja Missionária, que a partir do encontro pessoal com Cristo, assuma o Evangelho como verdadeiros discípulos missionários, dispostos a acolher as orientações do magistério da Igreja, do Documento de Aparecida, das Novas Diretrizes da Ação Evangelizadora, do Brasil e do Regional Oeste 2, propondo-nos a uma sincera e autêntica conversão pessoal e pastoral, sendo uma Igreja em estado permanente de missão.

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