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Igreja: lugar de animação bíblica, da vida, da pastoral e Casa de Iniciação à Vida Cristã, por Pe. Odilo Hoepers

_peodilohoepersA Igreja no Brasil convida a todos a fazerem parte na evangelização. Não vivemos em grupos fechados, mas somos corresponsáveis no anúncio do Reino de Deus a toda criatura. Para que nossa evangelização se torne cada vez mais eficiente e eficaz a CNBB e a Diocese de Diamantino convidam os católicos a olharem na mesma direção. O objetivo da ação evangelizadora da Igreja no Brasil é: Evangelizar, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida rumo ao Reino definitivo.

Por onde começar? Em primeiro lugar a Igreja pede que façamos uma leitura atenta de nossa realidade. Nela encontramos vários desafios que precisam ser enfrentados. As Diretrizes da Ação Evangelizadora pedem: É preciso ajudar as pessoas a conhecer Jesus Cristo, fascinar-se por Ele e optar por segui-lo. Anunciar Cristo significa mostrar que crer Nele e segui-lo não é algo apenas verdadeiro e justo, mas também belo e capaz de cumular a vida de um novo esplendor e de uma alegria profunda, mesmo no meio das provações. Este anúncio feito com ardor levará as pessoas a dizerem: Nossa atividade evangelizadora deve levar a superação de vários problemas. Podemos citar alguns: aumento progressivo do relativismo; a ausência de referências sólidas na fé; o excesso de informações; a superficialidade; o desejo a qualquer custo de conforto e facilidades; a aceleração do tempo; o fundamentalismo; o emocionalismo e sentimentalismo em nossas celebrações; materialismo; consumismo; o individualismo; o racionalismo secularista (modo de vida e de pensamento que é seguido sem referência a Deus ou à religião).

No âmbito católico percebemos um considerável número de pessoas que se afastam da comunidade eclesial; a persistência de uma pastoral de manutenção; a compreensão da comunidade como mera prestadora de serviços religiosos; a passividade do laicato; a concentração do clero em determinadas áreas; o mundanismo sob vestes espirituais e pastorais; sinais de apegos a vantagens e privilégios; celebrações litúrgicas que tendem mais à exaltação da subjetividade do que à comunhão com o Mistério. (DGAE n.26).

Toda a ação evangelizadora acontece na Igreja e através da Igreja. A Igreja é o lugar específico onde desenvolvemos a evangelização. O Papa Francisco diz: A Paróquia não é uma estrutura caduca, precisamente porque possui uma grande plasticidade, pode assumir formas muito diferentes que requerem a docilidade e a criatividade missionária do pastor e da comunidade.

O documento Evangelii Gaudium, do Papa Francisco, propõe: A pastoral em chave missionária exige o abandono deste cômodo critério pastoral: fez-se sempre assim. Convido todos a serem ousados e criativos nesta tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respectivas comunidades. (EG 33).

Somos convidados à leitura da realidade da catequese. Percebemos em nossas comunidades que muitos pais já não educam na fé os filhos; não cumprem mais com a missão de serem os primeiros educadores na fé; muitos católicos creem em Jesus Cristo, mas optaram por não segui-lo; certo número de catequizandos vem para a catequese com pouca formação e vivência cristã, sem ter feito uma adesão clara à pessoa de Cristo; muitas pessoas até dizem que acreditam em Deus, nas não querem pertencer a uma comunidade eclesial, preferem viver uma fé individual desligada da Igreja. Outros agem como piratas da fé, pegando desta ou daquela Igreja ou religião aquilo que lhes interessa e que vem de encontro aos seus desejos do momento. Com isso, também imaginam e criam um Cristo ao seu próprio gosto.

Como superar esta realidade da catequese? Através de uma autêntica Iniciação a Vida Cristã: O documento de Aparecida é categórico: Ou educamos na fé, colocando as pessoas realmente em contato com Jesus Cristo e convidando-as para o seu seguimento ou não cumpriremos nossa missão evangelizadora. (DA, 287). Não é mais possível nos prendermos a métodos tradicionais. Como levar as pessoas a um contato vivo e pessoal com Jesus Cristo? Para começar é preciso uma mudança de foco. Sair da mentalidade de Iniciação Cristã como sinônimo de preparação para receber sacramentos para o processo de quem quer tornar-se cristão.

O documento de Aparecida conclui dizendo: De fato, não se começa a ser cristão por causa de uma grande ideia ou doutrina, mas por causa de um encontro de fé com a pessoa de Jesus. Através desse encontro, as pessoas descobrem que Ele é o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6) e que somente Ele pode saciar a fome e a sede de vida que há em seus corações. Os cristãos que tiveram este encontro com Jesus Cristo podem dizer: Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria. (DA 29).

Convido a todas as forças vivas da Igreja a assumirem com entusiasmo a proposta da Igreja para este ano de 2017: Igreja: lugar de animação bíblica, da vida, da pastoral e casa de Iniciação à Vida Cristã.

Em todas nossas atividades pastorais não podemos deixar de contemplar estas urgências e metas da nossa Igreja. Incentivo que em todas as nossas atividades procurem usar a Palavra de Deus e colocar como meta de evangelização promover uma verdadeira iniciação cristã dos membros de nosso grupo e daqueles que evangelizamos. O centro de nossa evangelização não poderá mais ser: simplesmente levar as pessoas a serem batizadas; a fazerem sua primeira Eucaristia; a serem crismadas; a celebrarem seu matrimônio…, mas a ser e viver como cristãos.

Pe. Odilo Hoepers, scj
Pároco – Paróquia Nsa. Sra. do Rosário de Fátima – Diocese de Diamantino

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